domingo, 28 de agosto de 2016

Olá pai...

Olá pai, como estas? Há quanto tempo não tenho contacto contigo. Podes ter morrido e eu aqui sem saber.
Sabes, a tua Sarita mudou. Gostava que soubesses tudo o que se passou nestes anos em que estiveste fora. Muita coisa mudou, sabes? Eu estou num caminho diferente daquilo que sempre quiseste. Não sou enfermeira, sou freelancer, e estou a caminhar para ser empreendedora. Pergunto-me se ainda terias orgulho em mim ou se, simplesmente, terias a mesma reação que tiveste antes de saber tudo. Abandonarias-me como fizeste? Gostava que tivesses algum orgulho, recebo o ordenado mínimo com acesso a apenas um computador e internet. Não penses que foi fácil, não foi, trabalhei muito duro para o conseguir. Mas consegui chegar onde estou agora e, se tudo correr bem, vou subir cada vez mais, sabias? Talvez um dia estejas por perto para me ver no topo e dizeres o quão te orgulhas de mim. Para mim seria mais do que suficiente, sabias? Não preciso que me envies dinheiro, mas gostava de ouvir a tua voz de vez em quando. Gostava de conseguir pensar que, realmente, terias orgulho na pessoa em que me tornei. Na força que tomei como minha.
Mas não foi apenas isto que mudou. Sabes, eu gosto de mulheres. Quando chegaste cá e disseste que gostavas de uma mulher, estive para te dizer que eu também. Estive realmente. Muitos devem pensar que digo isto como uma brincadeira, mas não, realmente estive para te contar naquele dia. Abandonarias-me se soubesses que estou com uma mulher? Ela ainda está a amadurecer, mas sei que vai ser uma grande mulher e que a vou amar imenso o resto da minha vida. Ficarias orgulhoso por ter coragem de ir contra tudo e todos ou apenas me abandonarias novamente? Gostava de saber, sabias? Saber qual seria a tua reação perante isto. Gostava de saber se continuaria a ser a tua Sarita ou se deixaria de existir na tua vida.
Algo mais mudou. Eu amo-te... tanto quanto te odeio. Odeio-te é uma palavra forte, não? Tanto como os sentimentos negativos que me fizeste sentir. Tanto como o gosto que me deste por chorar. Eu choro e sinto-me próxima de ti... o quão triste pode ser isto? Estragaste-me, simplesmente. Fizeste com que chorar fosse a única forma de eu, realmente, sentir algo forte. Achas certo? Eu não acho. Não acho certo não me veres crescer como sempre disseste que querias ver. Não acho certo não te puder apresentar a pessoa que amo ou não puder ser levada ao altar por ti. Não acho certo não ter a minha dança contigo no meu casamento. Não acho certo não puderes ver os teus netos ou ensiná-los o que é a vida. Não acho certo teres-me excluído da tua vida. Mas foi uma escolha tua, não é verdade?
Agora que penso, eu não me lembro da tua cara. Não me lembro de como és ao certo. Maldita memória a curto prazo! Mas lembro-me de tudo o que fizeste por mim no passado. Lembro-me de me passares todo o espírito empreendedor que tenho agora. Por isso tenho que te agradecer... Sou feliz com isso agora. Mas não me sinto perto de ti com isso. Só me sinto perto de ti quando choro e, neste momento, quero chorar por não conseguir chorar e estar próxima de ti. Só estiveste aqui durante uns 5 minutos que, por acaso, são os 5 minutos que não falaste comigo este mês. Todos os meses falas comigo 5 minutos, tinha que repôr os deste mês.
Apenas espero que estejas feliz. Que estejas bem. Que sejas feliz com a nova vida que escolheste, mesmo que essa nova vida não me inclua. Queria tanto fazer parte da tua vida. Queria tanto que fizesses parte da minha. Gostavas de saber que podia correr para os teus braços sempre que me apetecesse, mas tudo bem. Eu aguento. Sou forte, pai.
De qualquer modo, espero que estejas bem. Espero que estejas feliz e que nunca abandones a nova família que tens, eles não merecem isso.
Sê feliz, pai.
Até aos nossos próximos 5 minutos.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

I need more....

Não sou perfeita, nunca serei sequer. Algumas pessoas irão coincidir com a minha personalidade, outras não o irão. Esta é uma das coisas que estou a passar agora e que, querendo ou não, pode não terminar bem ou terminar bem, quem sabe. Eu não sei, mas sei que não vou continuar nisto o resto da vida, assim como não vou mudar quem me está a magoar constantemente. Apenas... por vezes duas almas podem ser perfeitas mas não se encontrarem num tempo certo.
Todos precisam de alguém que sirva de apoio quando é necessário e, querendo ou não, as pessoas querem passar o resto da vida apoiadas. Ninguém deseja viver na incerteza. Eu não quero continuar na incerteza se vou, ou não, ser apoiada pela pessoa que amo. Não quero e recuso-me a sofrer nesse aspecto. "Estas com febre?", e vai para casa, "se precisares de algo liga que venho", primeiro, já preciso se estou doente, segundo, não não vens. "Podes vir comigo", "eu convidei-te para vir comigo", well... eu queria ser apoiada não puxada para algum sítio, mas sim, a culpa é minha porque não aceitei, novamente, ir contigo. Deitar-se comigo e quase me adormecer e depois "bem, vou beber café com a pessoa x". Like, fuck off. For real. "Sabes, o gang vai reunir-se. Sabes aquela pessoa que se atirava a mim e que nem sabe que estou com alguém. Olha, vai estar lá.", mas ao contrário, "Com a criatura? Está bem, fico com ciúmes, mas...", sim, realmente, tu é que tens razões para ter ciúmes, não sou eu. "O quê? Estas de rastos na cama? Espera, vou embora entregar o trabalho e se precisares de mim chama-me". Não, obviamente eu não preciso de ti, tenho um desejo oculto de ser deixada na cama, sozinha, enquanto choro. Ser deixada com ataques de ansiedade é, também, o prato do dia. Então ninguém saber de nada e eu ter que aguentar as saídas com pessoas que se interessaram ou interessam por ela... well... amo esses momentos..
Não aguento isto. Não consigo imaginar a minha vida com uma pessoa que não é capaz de estar comigo quando mais preciso. Não consigo imaginar-me com uma pessoa que me deixa insegura ou que me abandone sozinha numa cama a chorar. Não consigo imaginar-me com uma pessoa a quem tenho que pedir tudo. Estamos próximos do ano novo. Quero começar com alguém que esteja lá para mim, alguém com quem eu saiba que posso contar, ou, então, estar sozinha.
Não quero romantismo antes de apoio. Não quero cavalheirismo antes de apoio. Não quero casamentos nem filhos com pessoas que não me apoiam quando preciso. Quero algo mais na minha vida. Quero alguém que esteja lá para mim. Quero alguém que não saía com alguém que já se interessou por essa pessoa sem que o outro saiba que essa pessoa está comprometida comigo. Não quero viver na incerteza. Não quero viver uma vida sozinha em que apenas existem beijos, abraços e algum romantismo. Quero apoio. Quero, realmente, constituir algo com alguém. Não vou desistir disto. Vou consegui-lo. Se não for onde estou agora, vai ser em qualquer outro local. Mas vou consegui-lo. E, finalmente, vou ser feliz ao lado de alguém que não me abandona quando mais preciso. 
And it will be legen.... wait for it... dary... legendary!

P.s. Sem imagem porque não tenho muita paciência para ir procurar uma que se adeque. Sorry.

domingo, 20 de setembro de 2015

Get over the pain


Muitas vezes o destino prega-nos partidas. Partidas que não estamos à espera, mas que temos de aguentar. Talvez precisasse deste abanão para poder seguir em frente, sem olhar para trás novamente. E talvez tenha sido pelo melhor. Talvez possa parar de sentir necessidade de teres orgulho em mim.
Sim, ainda vou passar o resto da minha vida a querer ter um pai. Não um pai, o meu pai. Vou passar o resto da minha vida a chorar por ti e a sentires saudades do que tive um dia, mas que não tenho mais. Provavelmente vai doer o resto da minha vida. Mas, finalmente, sinto que posso seguir em frente.
A notícia foi um choque, nada que não esperássemos já, mas foi um choque na mesma. Doeu no princípio, depois percebi que, neste momento, já não és o meu pai. És apenas um homem que tem responsabilidades para com a minha família. O meu pai esteve comigo, até aos 19 anos da minha vida, mas neste momento já não existe. Neste momento o meu pai… quase que faleceu e sobrou apenas o homem com responsabilidades monetárias.
Well, mas não me vou alongar mais nisto. Apenas fico feliz pelo tempo em que me pude chamar de tua filha e que te pude chamar pai. Apenas fico contente por ter conhecido esse tipo de amor que só se sente uma vez na vida. Vou sentir saudades, demasiadas saudades para serem explicadas.
No entanto, se tudo correr como se supõe, alguém vai puder sentir o mesmo amor que senti um dia. Fico contente por essa pessoa, independentemente de ser rapaz ou rapariga. Fico contente por puderes dar o teu amor a alguém que merece. E fico contente por, um dia, ele ter sido meu. Espero que não cometas os mesmos erros. Diz-lhe o quão orgulhoso és dele. Diz-lhe que o amas. E nunca. Por todo o amor do mundo. Nunca. O abandones. Nunca lhe dês tanto amor para, no final, apenas o tirares e lhe partires o coração. Ele nunca será o mesmo. Apenas cuida dele. Melhor do que cuidaste de mim.
Quanto a mim, apenas vou dizer o quão orgulhosa estou de mim por tudo o que tenho passado e na pessoa que me tenho tornado. Apenas vou dizer o quanto me amo a mim própria. E nunca. Por todo o amor do mundo. Nunca. Me vou abandonar. E, talvez nesse dia, sinta um amor superior aquilo que um dia senti e que só se sente uma vez na vida.

Am I Brave?


Na minha opinião, talvez ingenuamente falando, ser corajoso é… algo como nos filmes. Arriscar mesmo com medo do que possa acontecer, tentando salvar alguém. Talvez esta seja uma ideia ingénua e que necessita, rapidamente, ser modificada. Ou apenas seja uma ideia louca que, com o tempo, vai sofrendo alterações. Em qualquer um dos casos, não me considero corajosa.
Eu sou do tipo de pessoa que tem problemas psicológicos que deixam vencer – a minha ansiedade social pode falar por si. Tenho medo de imensas coisas. Não consigo deixar certos problemas para trás. Sofro imensamente pelas mesmas coisas vezes sem conta. Não sou capaz de fazer o que acho ser correcto ou fazer-me bem. Novamente. Isto é ser corajosa?
No entanto, existe uma pessoa que tem uma opinião diferente e que me deixou intrigada. É a segunda pessoa até aos dias de hoje.
Basicamente, num momento insano, fui beber café com a mãe e disse que ela podia convidar o… pretendente? E… a mãe convidou. E ali estivemos, os três. O que achei dele, não sei bem dizer. Tenho diversas opiniões formuladas. Mas quanto ao café, sabia que aquilo devia deixar a mãe feliz, portanto porque não? Simplesmente o fiz.
No final esse mesmo pretendente disse que eu era corajosa. Não achei o acto um momento de coragem. Sou eu quem está enganada? Ou são os outros? o.o

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

I'll miss you boss


Tudo se vai resumir a isto. Quando encontro alguém com quem não tenho medo de falar acerca de nada, essa pessoa simplesmente se vai embora. Foi tão difícil de te encontrar e tão fácil de te perder. Tenho saudades tuas e ainda não foste, sequer, embora.
Sei que tudo vai mudar, mas não pela distância que nos podia separar. Esse não é o problema, sei que podemos falar na mesma. Sei que podemos ser loucas na mesma. Mas sei que não posso agarrar no carro ou no comboio e ir ter contigo quando me apetecer. Sei que não podemos, simplesmente, combinar estar juntas na queima e pronto, passarmos uma noite inteira ou mais juntas. Não podemos fazer muita coisa e isso torna tudo um pouco doloroso.
Eu sei. Eu sei. Tivemos um ano juntas. Mas esse ano não se comparou, sequer, ao ano seguinte. Ao ano em que conheci uma Ana diferente. Ao ano em que conheci uma Sara diferente. Fizeste-me descobrir coisas sobre mim que nunca pensei que existissem. Aturaste-me nos piores momentos, quando não podia falar com mais ninguém. E, num ano, tudo mudou. Num ano descobri mais acerca de mim do que na minha vida toda. E, por isto, nunca conseguirei agradecer o suficiente.
Já tenho saudades tuas. Imensas.
Obrigada por tudo o que fizeste por mim este ano. Obrigada de verdade.
Adoro-te imenso...

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Is something wrong?


Não sei se ela já se deu conta, mas provavelmente até já se questionou porque não escrevo acerca dela. Bem, escrever sobre ela era escrever sobre algo que me deixa feliz. Se um dia perder esse algo, não tenho mais nada sobre o que escrever que seja bom, mas, desde ontem, decidi que estava na hora.
O texto de hoje, não sei se será o mais bonito de se ler, mas não deixa de ser um texto e está na hora de eu escrever, mesmo sabendo que ela vai ler. Ou que não vai ler. Sei que antigamente ela vinha ao meu blog, mas tem deixado de vir, portanto com sorte ela vê isto daqui a uns tempos.

Hoje vou falar sobre... o que me conquistou principalmente. Algo que tenho sentido que tem desaparecido. O facto de ela se preocupar comigo. 
Antigamente, e isto foi o que mais me conquistou, quando eu estava mal ou algo acontecia, ela era a primeira a preocupar-se comigo e... fazia-me sentir especial. Era estranho o quão especial me sentia quando ela se preocupava comigo, como se eu fizesse realmente diferença.
Mas tem mudado de há uns meses para cá. Já nada é igual. Não me interpretem mal, amo-a realmente, mas não me tenho sentido especial. Sempre que lhe digo que estou mal, ela parece ignorar, e sim, já aconteceu muito mais que uma vez. E depois tenta safar-se com alguma desculpa, sim, também já aconteceu muito mais do que uma vez. Sinto a mudança, sinto que a mudança não acaba. E, sinceramente, o que sinto apenas me quer fazer afastar. E, ao mesmo tempo, não quero. Mas é como se ela já o estivesse a fazer, sabem? Como se as suas palavras dissessem algo que as suas ações desmentem.
Mas pronto, foi apenas um desabafo. Acho que está na hora de escrever sobre tudo, independentemente de quem lê o meu blog.

domingo, 23 de agosto de 2015

"I'm proud of you, daughter"


Por vezes custa ver todos a seguir em frente, como se nada se tivesse passado. Não censuro ninguém, muito pelo contrário, tenho orgulho de cada pessoa que está a conseguir em frente, mas, infelizmente, não sou essa pessoa.
Tudo gira em volta dele, embora nem sempre pareça. Tudo se tem focado nele, apenas por querer ouvir as palavras “Tenho orgulho em ti”, saírem da sua boca.
Mas nunca saem.
Trabalho dia e noite para conseguir alcançar algo. Algo que nunca poderá ser comprado com cada cêntimo que ganho.
As palavras nunca saem da tua boca.
Continuo a stressar, cada vez mais, por arranjar cada vez mais trabalho. Quero que o digas. Quero que digas que tens orgulho em mim. Que tens orgulho na mulher que me tornei. Que tens orgulho de saber que estou a alcançar todos os meus objectivos.
Mas as palavras continuam sem sair.
E, neste momento, apenas me sinto presa no meu choro, sabendo que nada poderei fazer para me livrar da prisão em que me encontro. Cada vez o vício vai ser maior, cada vez tentarei alcançar coisas mais grandiosas, enquanto aguardo o teu orgulho.
Se mo dissesses, talvez me libertasses da prisão em que me encontro. Talvez eu visse uma luz ao fundo do túnel e encontrasse a saída que preciso, mas as palavras não chegam.
Eu vou continuar a aguardar.
E as palavras ainda não vão chegar.